Voltei!
Tem bastante tempo que quero escrever sobre esse assunto, até porque estou na fase em que muitas amigas estão grávidas. Sabe aquelas fases da vida: todos passam no vestibular juntos (muitas churracadas), todos se formam (muitas festas), todos se casam (mais festas), todos tem filhos (festas de aniversário das crianças)...e assim por diante. E agora com 31 anos, tenho visto muitas das minhas amigas e conhecidas tendo filhos e, ser mãe de primeira viagem é uma aventura, talvés a maior da vida de uma mulher. Além disso, estou passando por um momento delicado da minha vida e sei que meus leitores querem me conhecer e, talvés, estejam passando, ou já passaram por momentos semelhantes.
No início de 2011 tentei engravidar, fiquei louca contando os dias férteis no calendário, namorando com meu marido com dias marcados, fazendo coisas malucas tipo botar as pernas pro alto depois da relação sexual, fazendo posições recomendadas nas revistas, aff... fiquei paranóica mesmo. Sabe o quê aconteceu? Tentei por 3 meses e não engravidei. Óbvio! Cheguei a conclusão que essa loucura só piorava a situação, muito estresse e o corpo reage de forma contrária a que esperamos.
Ainda nesse ano, tive uma crise forte de depressão, a 2ª da minha vida (a 1ª foi aos 19, 20 anos) e fiquei afastada do trabalho, tomando remédios controlados e fortes e, por causa de um deles, tive uma reação estranha, com muita diarréia, todos os dias, por 2 meses seguidos! Foi bizarro! Fiquei anêmica, fraca, perdi muito peso e até descalcificação nos dentes eu tive, daí resolvi parar de usar meu anticoncepcional porque do jeito que estava, tinha certeza que não engravidaria, que meu corpo não daria conta de uma gravidez. No mês seguinte estava grávida!!! Foi um susto, mas uma felicidade! Tive uns probleminhas no início, uma obstetra disse que eu não estava grávida, mas sim com um cisto muito grande no ovário, pois havia feito uma ultrassonografia e não havia aparecido o saco vitelínico, se tivesse acreditado nisso, teria perdido o bebê.
Mas, depois, com a gravidez confirmada, começaram os enjôos, a fome e o sono que não são de Deus e o peso mudando. Em mim, a barriga demorou muito a aparecer, isso só foi acontecer com quase 5 meses, mas a bunda e as pernas ficaram enormes rapidinho! Acho que o período da gravidez foi maravilhosa, uma das melhores da minha vida. Ainda estava em tratamento para a depressão quando engravidei e tive que parar com a medicação, mas foi incrível como nesse período era como se nada me atingisse. Me sentia forte e feliz, como se estivesse protegida por uma bolha e as coisas e pensamentos ruins batessem e fossem jogadas para fora.
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| Olha eu em Punta del Leste (Uruguai), com 4 meses, forçando a barriga pra frente! Ganhei 4 kg nessa viagem de 11 dias! Esculhambei na parrilhada! Kkkkkkkkk!!! |
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| Eu me achando gata grávida de 32 semanas! Fotos maravilhosas por Yolanda Capovilla! Obrigada, Yolanda! Vc é demais! Recomendo, pessoal! Make up por Ricardo Silveira, minha ispiração para meus trabalhos como make up artist! Fantástico! |
Me preparei fisicamente para ter parto normal, era meu desejo e sonhava com isso. Continuei dançando até os 8 meses de gravidez, pratiquei pilates, fiz musculação, controlei o peso, ganhei 14 kg e pra mim esse ganho foi ideal porque estava muito magra e fraca quando engravidei.
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Nas 2 fotos eu já estava com quase 7 meses de gravidez, dançando no Festival de Teatro e Dança Aldeia SESC.
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Aí, no dia 14/08/2012, no estacionamento do supermercado, no dia exato em que completei 40 semanas de gravidez, minha bolsa estourou e era muuuuuita água saindo. Meu marido ficou maluco, começou a jogar tudo de qualquer jeito no porta-malas do carro e fomos pra casa pegar as malas para ir pra maternidade. Notei que não sentia dor alguma, não tinha contrações e minha barriga estava tão alta que encostava nos meus seios. Havia feito uma ultrassonografia dias antes e constatado que o Arthur já havia virado, mas não havia encaixado. O colo do útero estava bem fechadinho, e assim estava também no dia do nascimento.
O médico me sugeriu, então, que fizesse um parto cesárea...não queria, fiquei extremamente nervosa, tremia como uma vara verde (fiquei até com muita dor no pescoço de tanta tensão), chorava feito um bebê, mas tive que fazer. Me senti uma vaca indo pro abate. Foi uma experiência traumatizante pra mim. Estava feliz por ter meu filho nos braços saudável e lindo, mas me senti menos mãe e menos mulher porque não havia conseguido ter parto normal.
Sofri muito durante os primeiros meses do meu bebê. Tive depressão pós-parto, tinha força e vontade de cuidar do meu filho, já o amava demais (e amo muito pra sempre), mas tinha um sentimento de culpa muito forte e de incapacidade de fazer as coisas certas, tinha muito medo de errar. Chorava e chorava e chorava. Cheguei a ter pensamentos de morte... Por esse motivo, meu leite secou com 1 mês e meio. As coisas não estavam acontecendo como esperava e havia planejado, sou demasiado metódica e creio que essa minha característica de personalidade só piorou o problema. Voltei a dançar depois de 1 mês e meio de parida para ver se melhorava e ajudou um pouco. Quando voltei a trabalhar, a impressão que tive foi que as coisas estavam começando a se acertar na minha cabeça, mas era uma falsa impressão.
Há uns 4 meses cheguei ao fundo do poço. Foi o pior momento. Tinha um filho lindo, um marido maravilhoso, uma família que sempre me apoiou, mas mesmo assim estava infeliz. Mas por que? Por que isso acontecia comigo? Por qual motivo pensava que ninguém estava ao meu lado se o que todos queriam era que eu ficasse bem? Tive muitas brigas com meu marido, quase pensamos em separação. O sentimento de culpa só piorava e pensava constantemente que não queria que meu filho tivesse uma mãe com tantos problemas, e, de novo, pensava em morte. Até que implorei por ajuda para minha mãe, meu marido e minha sogra que foram sensacionais e me ajudaram de uma forma incrível. Aguentaram a barra mais pesada que passei na vida.
Procurei um psiquiatra, Dr. Jovino (excelente médico!) que prontamente me atendeu e começou meu tratamento. Foi a melhor coisa que fiz! Ainda estou em tratamento, usando medicamentos, afastada do meu trabalho na prefeitura de Vitória, reavalaindo minha vida, a importâncias que cada coisinha tem, tenho tido apoio dos amigos e reavaliado o quê quero pra mim. E durante essa "recauchutagem mental", percebi que aos 31 anos ainda não sabia o quê queria da vida. Meu marido costuma me dizer que as pessoas mais interessantes são aquelas que não sabem muito bem o quê querem da vida, pois abraçam de um tudo, sabem falar sobre todos os assuntos porque se interessam por muitas coisas e que eu sou assim. Comecei a dar valor a mim, ao que faço, a me achar bonita, a valorizar meu trabalho e resolvi escrever esse blog porque sempre amei escrever e sempre falei pelos cotovelos (vocês já perceberam isso, né...kkkkkkkk!).
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| Tem como não ser feliz? Apesar de sermos flamenguistas e estarmos sofrendo um pouco nesse momento, minha família é linda! Foto por Cris Coelho, fotógrafa infantil, fantástica!!!!! Recomendo tb! |
Moral da história: não crie espectativas falsas sobre sua gravidez, deixe que as coisas aconteçam como devem ser, a natureza é sabia. Não planeje tudo, pois a chance de as coisas não acontecerem como planejado é enorme. Mães nunca devem se sentir culpadas ou menos mães por nenhum motivo (dica da minha mãe, gente!). Caso se sinta como eu, procure ajuda rapidamente. Não é vergonha ir ao psicólogo ou ao psquiatra, eles existem para ajudar as pessoas!! Procurar esses profissionais não significa que você é maluco, mas que precisa de apoio psicológico. Não ache que depressão pós-parto vai necessariamente acontecer contigo, não se preocupe, o meu caso foi complicado pois já havia tido problemas semelhantes antes.
RESUMINDO: DEIXE A VIDA TE LEVAR COM LEVEZA E SUAVIDADE!!
Monte de beijos!