sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ajude seu filho a comer bem!

Sinsalabim!! Abracadabra!! Que esse miojo se transforme em beterraba!!

Queríamos que fosse como mágica ... mas não é. Quem tem filhos pequenos sabe o quanto penamos para manter uma alimentação saudável, o mais natural possível e longe das guloseimas que inundam as prateleiras dos mercados e as propagandas da TV. É uma enxurrada de miojos do personagem de gibi, biscoitos recheados com carinha, ovinhos de chocolate com brinquedos dentro, pirulito da boneca mais amada e do super herói mais forte, tudo muito colorido (artificialmente!), enriquecido (artificialmente!) com vitaminas de A à Z, com muito acidulante – edulcorante – conservante – todos os “...antes”!

E qual a melhor estratégia para mantermos nossos pequenos longe disso tudo? Mudar nossos próprios hábitos alimentares e nos reeducarmos! Somos exemplos para nossos filhos em tudo, inclusive na alimentação. Não adianta você obrigar o seu filho a comer brócolis se o “verdinho” nunca habitou o seu prato. Fica aquela dúvida na cabecinha deles: “porque eu tenho que comer se minha mãe e meu pai não comem?”. Exemplos são mais eficientes que explicações orais. Assim, tente começar a mudança por você.

Que tal iniciar esse processo experimentando os alimentos que sempre disse que não gosta, mas na verdade nunca provou? Faça isso junto do seu filho, incentive-o a sentir o sabor e a textura de novos alimentos, testar o paladar, mas sinta-se e deixe-o livre para gostar ou “desgostar”, já que uma das causas da dificuldade na alimentação pode ser resultado da insistência ou ansiedade dos pais e também da criança.

Os hábitos alimentares que se formam nos primeiros 2 anos de vida serão cruciais para a formação de seus hábitos nos anos seguintes, é nesse momento que os pais devem ter disciplina para apresentar à criança o mundo dos alimentos. Tente introduzir a maior variedade de alimentos possível e priorize os de boa qualidade nutricional. Não se canse de oferecer se, de primeira, sua cria não aceitar o alimento ou a preparação, é muito comum essa rejeição. Num outro dia, ofereça novamente! Ele só precisa da sua paciência e do seu tempo.  É nesse período também que devemos evitar a oferta de produtos com açúcar, já que é exatamente quando a criança está desenvolvendo o paladar para esses alimentos e, se gostar, vai se tornar prioridade para a criançada. Quanto mais tarde você apresentar as guloseimas açucaradas ao seu filho, maior a chance de que ele, por si só, não queira consumi-los já que ele não formou a palatabilidade por esses alimentos, consequentemente, aumentam-se as chances de que ele adira à uma alimentação saudável para sempre. Ninguém nasceu preferindo chocolate à brócolis, vc foi apresentado a essas 2 gostosuras.

Respeite o apetite do seu filho! Não obrigue-o a comer mais, não o force a “raspar o prato” se perceber que a ingesta foi menor do que você esperava. A adequação da quantidade ingerida deve ser continuamente avaliada observando o desenvolvimento físico e cognitivo normal da criança. Além disso, esqueça os estimuladores de apetite! Se eles funcionam?  Funcionam sim, mas apesar de despertar a fome pela presença de vitaminas, minerais e outros compostos presentes em suas fórmulas, esse tipo de artifício costuma desorganizar os mecanismos de regulação do metabolismo do organismo, fazendo com que seu filho coma muito mais do que realmente necessita podendo se tornar obeso na vida adulta, e ainda ficando refém do remédio conseguindo se alimentar apenas após umas colheradas do “veneno”.

Últimas dicas, mas não menos importantes: tente preparar seu próprio alimento, evitando os industrializados, lembre-se que alimentação também é memória afetiva; leia rótulos, saiba a composição do que você consome; procure sempre por produtos orgânicos, livre de transgênicos (falarei sobre isso num próximo post); se alimente em família, num ambiente tranquilo e com calma, sente-se à mesa, faça das refeições um momento de prazer em família.

Não nos importemos se formos chamadas de paranóicas, chatas, neuróticas, xiitas...se dizem que seu filho vai “aguar”, vai morrer de vontade...se insistirem em oferecer pirulito depois de cortar o cabelo ou se derem balinhas porque todas as outras crianças estão chupando...sejamos firmes no propósito de mantê-los bem nutridos, de ensiná-los a se alimentar de forma correta. Essa será uma das maiores heranças que podemos deixar para nossos filhos.

Monte de beijos!